domingo, 28 de novembro de 2010

Enfim, o destino: Santiago do Chile!

Buenas, pessoal!
Nessa 6ª-feira (26/11), após 26 dias, 2.392,5 km percorridos (faltaram 7,5 km para 2.400!), depois de cruzar meu próprio Estado de origem, a Argentina e o Chile, passar por 105 cidades e/ou povoados, depois de alternar planícies e serras, suportar temperaturas de verão e de inverno extremos, depois de pedalar sob chuva, sob sol, de atravessar 16 túneis, de enfrentar uma das Cordilheiras mais exuberantes e mais seletivas de todo o Planeta, de cumprir uma rotina diária de 130 km em média pedalados (a menor distância: 65 km; a maior: 180 km), finalmente estacionei a bicicleta Caloi Elite 2.7 em frente ao Aeroporto de Santiago do Chile, e dei por ENCERRADA, COM ÊXITO, essa que foi uma das jornadas mais espetaculares da minha vida!
O que dizer numa hora dessas?
Fico tentado a fazer, já agora, uma análise (despretensiosa, claro) de tudo quanto representou e representará esse desafio na minha vida.
Mas não.
Por respeito a todos que, de uma forma ou de outra, vêm acompanhando essa travessia, vejo-me no compromisso de relatar como foi esse último dia de pedalada, até para poder também encerrar a descrição seguindo a rotina que por quase trinta dias vingou neste Blog. Não faltarão oportunidades de, nas próximas postagens, poder fazer um resumo, quem sabe arriscar algumas conclusões...
Assim, foi que:
Para cumprir essa etapa final, e vencer os 85 km que me separavam do Aeroporto, saí de Los Andes (Chile) às 09h da manhã.
Tarde, porque, ao pegar a bicicleta que ficara parada 3 dias no Hotel (de 3ª-feira 23 a 5ª-feira 25), descobri que seu pneu dianteiro estava furado. Um "fecho de ouro" para aquele que foi o único problema mecânico que enfrentei na bicicleta: 11 furos em 25 dias! Uma grande decepção a todo o conjunto ciclístico de rodagem (câmaras, pneus, fita de kevlar...).
Mas nada disso desmereceu a fantástica paisagem que se me descortinou aos olhos na saída daquela belíssima cidade chilena!
Uma grande subida, de cerca de 10 km, levou-me novamente próximo dos 1000 m de altitude, onde o último túnel da viagem (com 2 km de extensão), me aguardava. Claro, em cima de outro carro-socorro, porque é proibida a passagem de ciclistas no local.
À travessia desse túnel sucedeu-se uma forte descida, já em direção à Região Metropolitana de Santiago. Mas o vento - sempre ele! - determinou pedalada constante e firme mesmo lomba abaixo, a fim de que pudesse manter a média de 15km/h que me levaria, até mais tardar 17h, às portas do Aeroporto, onde minha esposa estaria chegando, proveniente de Porto Alegre.
Tempo para mais uma foto, dessa vez da paisagem que me acompanhou por praticamente todo esse último trecho pós-túnel (serras baixas, arenosas e, por isso mesmo, de pobre vegetação).
E o último monumento fotografado comigo e a bicicleta: uma homenagem à Batalha ocorrida em 1817, quando habitantes da Aldeia Chacabuco saíram vitoriosos na luta pela independência do Chile. É muito grande e muito bonito!
Em frente ao Aeroporto, ciclocomputador na mão, acho que a imagem abaixo fala por si...

Acabou!
Ou começou...
Não sei ainda. Uma "viagem" dessas termina com a chegada ao destino?

(Amanhã, postarei fotos da Cordilheira dos Andes vista de cima. E eu que pensei que bonito era lá embaixo...)
Bait'abraço a todos!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pajada

Buenas, pessoal!
Desculpem-me a ousadia (e o pouco talento), mas aflorou uma veia poética em mim, neste dia de paz e sossego.

SEM FRONTEIRAS O VENTO, A NEVE E A GENTE

Existe um lugar na Terra
Solo sul-americano
Que, igual ao povo cigano
Nato encanto encerra
Da encosta da menor serra
Ao topo da Cordilheira
Tremule qualquer bandeira
De nações pequenas ou grandes
Pois para os ventos dos Andes
Não existe essa tal fronteira!

Cerro imenso americano
Recortado território andino
Quem o quis um dia argentino
De Peru, Chile, boliviano
De Equador ou colombiano
Fez pelejar irmão contra irmão
Fracionando esta vastidão
Mas nos montes colossais
Suas neves invernais
Ignoram demarcação.

Agora, nas rochas nuas
Acorrem gentes estranhas
Cavam as suas entranhas
Arrombando-as à força de puas
Expondo suas carnes cruas
Sempre atrás do vil metal
Desatentas a todo mal
Que lhama, guanaco, condor
Sofrem co’a morte, co’a dor
Tolo desprezo ao vital.

Sei que o homem é capaz
De abdicar desse ouro e cobre
Que só à beleza se dobre
E deixe os Andes em paz
Que na estrada o leva-e-traz
Seja do encanto da Cordilheira
Do rio, de sua corredeira...
Eis sua riqueza, o maior valor!
Um sonho, um pensar, um pendor
De gente também sem fronteira!
Bait'abraços a todos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fotos do dia 20/11 (Uspallata)

Buenas, pessoal!
Continuo postando as fotos que não puderam compor os textos (sempre por falta de um sinal adequado de Wi-Fi).
Essa série é do dia 20 de novembro, quando percorri o trecho entre Los Potrerillos e Uspallata.

Adoro essa foto! Está quase tudo ali: céu, sol, montanhas, estrada, bicicleta, eu, e um guard-rail para não despencar no abismo do Rio Mendoza... Só faltou a neve!


O Rio Mendoza, que nasce da confluência de diversos pequenos rios (Cuevas, Vacas, Polvaredas), todos originados no degelo. Como este ano nevou pouco, o rio está baixo e já há racionamento de água em Mendoza. O Dique Chipollet só abre suas comportas algumas horas por dia.

O que há de mais fantástico na Cordilheira: a água mais pura do Planeta! Desse arroio que aparece na foto (como de tantos outros) peguei água para beber, e é tão gelada que as mãos doem se ficam muito tempo nela mergulhadas. Tem grande concentração de minerais e um gosto completamente diferente de qualquer água que já tomei. É impressionante como a gente se sente bem sorvendo-a!

Um dos 15 túneis que há na subida da Cordilheira. Alguns em curva, um em "S", nenhum iluminado, era um risco atravessá-los, porque não há banquina (acostamento). Não sei quem se assutava mais quando um caminhão cruzava por mim dentro deles: se eu ou o motorista das carretas....


O "catarina" Tadeu Silva, funcionário da Cerâmica Portobello, que resolveu botar meu capacete e posar para uma foto como se tivesse pedalado até Uspallata. Rimos a valer da sua ideia.
Detalhe: é ciclista também. Talvez por isso tenha se identificado tanto e se armado de coragem para colocar um capacete fedorento e suado na cabeça...


Bait'abraço a todos!

Fotos do dia 19/11 (Los Potrerillos)

Buenas, pessoal!
Conforme o prometido, passarei a postar fotos dos dias em que a falta (ou baixa intensidade) do sinal Wi-Fi impediu sua inserção nos textos.
Começo com o dia 19/11/2010, quando percorri o trecho de Mendoza a Los Potrerillos.

A água das Cordilheiras é completamente azul! Esse é o dique Chipollet, que abastece a cidade de Mendoza.




Os gaúchos Darlan e Álvaro, que souberam, em Rio Cuarto (muitos quilômetros antes), que eu estava subindo a Cordilheira. Quando me viram, pararam para conversar. Umas figuraças!


O lago de águas turmalinas que enxerguei quando estava pedalando a 2000m de altitude, mas que, para alcançar, tive que baixar a 1200m.



Eu, "turista contemplativo", à beira do lago. Que momento!



Os novos amigos argentinos, Rose, Alberto, Patrícia e Suzana, que provocaram um dos momentos mais emocionantes de toda a viagem. Choramos a valer! Que coisa!


Bait'abraço a todos!

Turista!

Buenas, pessoal!
Foi um dia muito atípico!
Não precisei acordar cedo, não precisei pedalar, consegui almoçar no horário normal, tirar uma sesta até às 15h, e ainda caminhar tranquilamente pela cidade em que me hospedei.
Tudo por conta da minha chegada em Santiago.
Explico: minha esposa chegará à capital chilena na 6ª-feira à tarde. E o nosso vôo para casa está marcado para as 08h da manhã de domingo. Com a conexão no Aeroporto de Guarulhos (São Paulo), a previsão de chegada em Porto Alegre é lá pelas 17h do dia 28.
Com isso, resolvi prorrogar minha estada em Los Andes. É uma cidade muito tranquila, com 60.000 habitantes, estou a 100 km de Santiago - um dia de pedalada -, e, com o convite que recebi de pararmos na casa de uma brasileira que mora na capital, senti-me constrangido de lá chegar praticamente 5 dias antes do retorno. Um visitante altera bastante a rotina de uma casa. Tenho essa consciência, ainda mais que não é período de férias.
Aí, virei turista: fotos pra cá, fotos prá lá, visitei a Praça de Armas e a Feira do Livro que está acontecendo nesse local...







... a Igreja Matriz da cidade (onde botei as orações e os agradecimentos em dia)...



... e amanhã pretendo visitar o Museu Arqueológico bem como o Monastério onde estava reclusa Santa Tereza de Los Andes, Padroeira da República do Chile.


A dor nos meus joelhos ainda não passou. Estão tão enrijecidos do esforço dos últimos dias que tenho feito diversas sessões de alongamento para ver se relaxo a musculatura.
E estou ficando mimoso também: fui num supermercado e comprei um creme hidratante. Vê se pode... Mas é que estou tão apavorado com o estado da minha pele nos braços, pernas e nuca, que resolvi dar uma colaborada na recuperação. Pareço um peixe!
A Cordilheira está ali, ao fundo da cidade de Los Andes. E como Santiago fica para o Sul, terei a companhia das montanhas por mais um dia sobre a bicicleta. Apesar de todo o esforço dos últimos dias, contudo, tenho que reconhecer que já estou lamentando o fato de não poder retomar a pedalada em meio àquela maravilha da natureza!
Ainda mais por saber que, enquanto cruzava o Túnel do Cristo Redentor, ontem, os motociclistas gaúchos Darlan e Álvaro, que encontrei em Mendoza, e que estavam retornando para o Brasil, pegaram neve enquanto aguardavam a documentação na Aduana Argentina. A 15km de onde eu estava! Fizeram um comentário muito interessante na postagem de ontem, sobre a condição climática que enfrentaram na volta.
A Cordilheira é isso: uma surpresa atrás da outra. Inclusive neve em novembro...
Talvez por isso exerça todo esse fascínio que não canso de propalar!
Bait'abraço a todos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Chile!

Buenas, pessoal!
Foram quase quatro anos acalentando um sonho!
Este ano de 2010 inteiramente dedicado ao planejamento e à preparação.
Os três últimos meses somente para dar forma ao projeto.
Quantos badulaques adquiridos, quantas pedaladas nos finais de semana, quantas noites em claro enchendo e esvaziando os alforjes, quantas revisões na lista de pertences, quantas corridas ao Banco, quantas moedas guardadas para trocar por dólares, quanta mentalização!
Hoje, olhando para trás, dou-me conta de que tudo valeu a pena! E como valeu! Chegar ao alto transitável da Cordilheira dos Andes, a 3185m de altitude, tracionando minha valente bicicleta somente com a força das minhas pernas e com minha inabalável determinação – não pretendo me envaidecer afirmando isso –, foi a recompensa maior por todos os percalços e todas as dificuldades pelas quais passei desde que, em 2007, fazendo esse mesmo trajeto de automóvel, em férias com minha família, disse para mim mesmo: “Um dia, vou cruzar a Cordilheira dos Andes de bicicleta!”
Sair de Los Penitentes às 07h da manhã, com temperatura na casa dos 5ºC, bermuda e duas camisetas de manga curta, foi o primeiro teste do dia. Mas tinha que ser assim: mais roupa, mais umidade retida, mais enregelado ficaria.
E pegar a estrada para, somente nos primeiros dez quilômetros, já subir a 2800 metros, em Puente del Inca, só veio temperar ainda mais este último dia na Cordilheira dos Andes!
Quanto mais subia, mais me doíam os joelhos... Era como se eu nunca tivesse pedalado na vida. Minhas mãos estavam completamente congeladas, e todos os ferros da bicicleta pareciam pedras de gelo.
A falta de ar obrigava-me a incontáveis paradas: era o tempo de tomar água, recuperar o fôlego, olhar para frente (ou melhor, para cima) e retomar o giro do pedivela.

O dia nublado não permitiu que o sol desse as caras até às 10h, e gerou em mim uma das maiores frustrações de toda a viagem: o Cerro do Aconcágua permaneceu completamente coberto por densas nuvens, durante a quase uma hora em que lá fiquei, tentando fotografar seu cume nevado. Não houve jeito: os Andes cobram um preço alto de quem se atreve a desafiá-lo, e, se sabe vergado, apronta. Esconder o Aconcágua foi sua vingança...

Na chegada ao Túnel do Cristo Redentor, pus-me a repetir, desnorteado: “Eu consegui! Eu consegui!”
Cruzei essa imensa ferida de 3,5km de extensão, aberta nas entranhas dos Andes, em cima do carro-socorro, e aproveitei a oportunidade para gravar um vídeo que resume toda essa epopéia. Fazia 9ºC. Era meio-dia.

Do outro lado, a República do Chile!
E um dos trechos mais fantásticos de toda a viagem, a descida dos “Caracoles”, 29 curvas que me fizeram baixar 700 metros em meia dúzia de quilômetros! Que momento espetacular! Mereceu outro vídeo muito especial!

Depois de mais 40 quilômetros de uma descida surpreendente, cheguei em Los Andes, a 650 metros acima do nível do mar. De 3150 para 650 em apenas 70 km! É de ficar estarrecido! Ainda mais se esse trecho é vencido em cima de uma bicicleta...
E faz calor em Los Andes, rsrsrs... Meu Deus, como é bom o calor!
Resolvi não pedalar amanhã. Vou providenciar na chegada da minha esposa a Santiago, para que possamos, até o final de semana estar em casa.
Claro, tenho ainda 100 km para percorrer. O desafio não terminou. Mas acho que o pior já passou, eh, eh, eh...
Eu consegui! Eu consegui!
Bait’abraço a todos!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os Andes se dobrarão!

Buenas, pessoal!
Leiam o texto abaixo como se tivesse sido postado ontem (21/11). Falta de rede Wi-Fi em Los Penitentes, Argentina, não permitiram o lançamento no blog.

"Outra vez, não tenho possibilidade de postar, no blog, o dia de hoje. Por isso, escrevo para deixar registradas as impressões deste dia memorável!
Os Andes se dobrarão à minha persistência!
Mas cobrarão um preço muito alto para me permitirem cruzar!
O que vivi hoje foi tão intenso que deixará marcas não só no corpo, como na alma e no espírito!
Febre alta, dor de ouvido, escamação total de pernas e braços, feridas nos lábios, dores articulares, são alguns dos inúmeros problemas físicos que enfrentei, muitos surgidos no dia de hoje.
Mas nada, nada me impediu de continuar! Nem mesmo os 40 km de subida, até a chegada em Los Penitentes, a 2600 metros de altitude, nem mesmo o vento de 50 km/h, batendo na frente da bicicleta, pareceram obstáculos intransponíveis.

Não me perguntem de onde veio a força (física e mental). Não sei. A cada nova subida, muitas vezes constituída de 5 km sem um momento sequer de alívio, só pensava que era apenas mais um trecho rumo ao topo! Metro após metro.
Alternei tantas vezes a altitude da pedalada, entre os 2000 e os 2500 metros, que bloqueei qualquer outro pensamento que não fosse: continua, continua, CONTINUA!

Os Andes se dobrarão à minha persistência!
Mas prepararam a arena para a luta que se travou durante todo o dia!
Não sei como descrevê-la: mesclem o pior “nordestão” do litoral gaúcho, a 8ºC – temperatura registrada em Uspallata às 07h da manhã –, à subida da serra de Salvador do Sul, não por 16, mas por 40 km, a uma bicicleta com pneu balão pesando 150kg (comigo junto).
Foi isso! Resumidamente, foi isso!

Há anos, muitos anos mesmo, não usava a relação coroa/pinhão 1-1 e 1-2 da bicicleta. Hoje, ao divisar cada nova subida, já cambiava para iniciar com essas marchas, porque sabia que seria assim, por 01 hora, 01 hora e meia, a 5km/h, quase sendo derrubado pelo vento!
Na última subida, de 7km, exaurido, apeei da bicicleta e me pus a caminhar, empurrando-a. Somente da água que coletei nos arroios – água puríssima, geladíssima, água do degelo – bebi. Foi o alimento que me manteve consciente, lúcido, focado. Água recheada de minerais. A água mais pura do mundo!
Os Andes se dobrarão à minha persistência!
Mas deixarão para o último dia de subida o desafio maior: a chegada a Las Cuevas, a apenas 20 km de distância, porém 500 metros mais para cima, para bater na casa dos 3.100 metros de altitude!
Os Andes querem coroar o maior esforço mental que já fiz em toda a minha vida, mas exigirão o ápice!
Amanhã! Amanhã...

Já é noite na Cordilheira. Tomo banho, janto, e saio para caminhar na beira da Rodovia. Quero me afastar das luzes artificiais para apreciar a beleza das montanhas. A lua cheia está escondida atrás dos altos montes, mas seu clarão aos poucos vai se refletindo no Cume Tolossa, ao sopé do qual Los Penitentes nasceu. 5500 metros de altitude!
Passa um avião, em direção a Santiago. Só vejo suas luzes. Parece próximo.
Como as estrelas. As que sobreviveram ao clarão da lua estão tão perto que penso em levantar as mãos para tocá-las. Estou perto do céu. Estou no céu.
O Aconcágua já está para trás, mas as montanhas não me permitem enxergá-lo. Somente amanhã o verei, a 30 km de distância, um colosso de pedra e neve que preenche a paisagem, mesmo a distância tão grande. Para trás já ficou o Tupungato, com seus 6600 metros, tão gigantesco quanto o Aconcágua, tão magnífico que levo um choque quando o vejo, numa curva da estrada, em Punta de Vacas. Escapa-me um “uau!” e paro a bicicleta para permitir que flua a emoção daquele momento.
Os Andes se dobrarão à minha persistência.
Se dobrarão!
Bait’abraço a todos!