quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Nova aventura sobre duas rodas!


Buenas, pessoal!
Ano novo, novas aventuras sobre duas rodas, novos relatos!
Em 2013 meu filho Paulo Augusto e eu resolvemos percorrer o litoral do Rio Grande do Sul, de bicicleta, saindo de Torres, e pretendendo chegar no Chuí, uns 700 km em direção ao sul do continente. Só conseguimos chegar em São José do Norte, mas a percorrida se estendeu por 449 km. Um trecho paradisíaco, cheio de surpresas, tudo relatado no blog www.litoralgauchodebicicleta.blogspot.com.
Para quem gosta de textos que agreguem ciclismo, ecologia, antropologia, esporte, desafio, acho que a leitura do blog acima é uma boa pedida.
Bait'abraço a todos!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Buenas, pessoal!
Estou organizando, junto com meu filho Paulo Augusto, de 14 anos, mais uma aventura cicloturística: uma viagem pelas Serras do Rio do Rastro e do Corvo Branco, na região sul de Santa Catarina. Lugares paradisíacos, que visitamos recentemente de carro, e que nos motivaram a fazer um ensaio da parceria que queremos montar para uma grande aventura cicloturística em janeiro de 2014: a "Volta do Uruguai", um passeio de 2.500 quilômetros contornando esse belo País, descendo pelo litoral, subindo pela encosta do Rio da Prata e retornando para casa (em Montenegro, Rio Grande do Sul), pela Barra do Quaraí.
Quem já acompanhou a Viagem ao Chile de Bicicleta, ou está lendo neste momento esta bela aventura (modéstia à parte...), e quiser acompanhar minha nova empreitada sobre duas rodas e na força do pedivela, sugiro a leitura do Blog http://www.norastrodocorvobranco.blogspot.com/, criado hoje.
Bait'abraço!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O retorno para casa!

Buenas, pessoal!
Promessa é dívida!
Posto algumas fotos tiradas do avião da LAN, durante o sobrevoo da Cordilheira dos Andes, na nossa (minha e da Mariloy) viagem de retorno para casa, no último domingo (dia 28/11). Lamento que as imagens consigam demonstrar muito pouco de todo o esplendor que é aquela cadeia de montanhas vista de cima!
Logo na saída do Aeroporto de Santiago, o avião toma o sentido leste e vence a primeira serra, que nesta época do ano já está com o processo de degelo praticamente consumado. Por isso, demoramos um pouco para divisar os primeiros picos nevados.


Lentamente, contudo, eles vão se tornando mais frequentes, até dominarem por completo a paisagem! Neve, muita neve, transformando a Cordilheira num grande lençol branco estendido, debaixo do qual como que mãos erguidas conseguem desalinhá-lo, para dar-lhe esse aspecto "amarrotado" e "pontudo"!


Ao longe, soberanos, reinam o Aconcágua e o Tupungato, que, por seu tamanho colossal (ambos quase na casa dos 7.000m de altitude), destacam-se na paisagem. Neste domingo do retorno, o tempo muito claro e o sol radiante permitem aos passageiros vislumbrarem todo o esplendor de seus cumes, e muitas máquinas fotográficas são apontadas para os bonitões... Com o binóculo que levamos, então, com maior riqueza de detalhes podemos vê-los, analisá-los e admirá-los!


Nas proximidades da cidade de Mendoza, quase ao fim da travessia da Cordilheira dos Andes, outra bela cena: uma grande nebulosidade "estancada" no paredão de pedra e areia, impossibilitada de seguir seu rumo em princípio determinado pelo vento, porque nem esse consegue vencer o obstáculo que se interpõe em seu caminho!
Há milênios vento, água e montanhas tentam demarcar seu território naquela paisagem inóspita. Mas nunca chegarão a um acordo... Bom para nós, que, por causa dessa briga eterna, conseguimos visualizar as cicatrizes que esse confronto vai deixando nas encostas e caminhos...
E assim, lenta e serenamente, vamos deixando a Cordilheira dos Andes para trás...
Uma estranha sensação toma conta de mim nesse momento. Parece que cruzar assim, por cima das montanhas, voando, não desafia, não compromete, não afeta, não atinge.
É. De fato, percebi que havia me impregnado de uma doença muito comum nos Andes, chamada DESAFIE-ME, que tinha, por sintomas, fortes INQUIETAÇÕES, ANSIEDADES e EXPECTATIVA, para o quê tomei um remédio cujo princípio ativo é o ENFRENTAMENTO, através de um longo tratamento de TRAVESSIA, que provocou minha cura através da CONQUISTA!
Estou curado. Mas... pelo que fiquei sabendo, essa doença volta com relativa frequência, apresentando sintomas, diagnóstico e tratamento bem parecidos com os de cima. E parece que o vírus que anda solto pelo ar já foi apelidado de "VOLTA DO URUGUAI", devendo me contaminar, pelas previsões, lá por fevereiro de 2014.
Alguém ficará doente também? E quererá fazer o tratamento comigo?
Obrigado a todos! Nem sei como retribuir tanta generosidade de vocês em me acompanherem nesse desafio, durante esses trinta dias.
Pelos comentários, pelo incentivo, pelas palavras amistosas e cordiais, só posso agradecer, lisonjeado.
Pela caravana de recepção que tivemos, a 20 km de Montenegro (no Posto PoloSul), com a presença de familiares e amigos, muitos balões, fotos, emoção e alegria! Uma linda homenagem da qual não me sinto merecedor, mas que deixou-me honrado e orgulhoso!
E assim como já estou sentindo saudade do barulho dos pneus da bicicleta sobre o asfalto, já estou sentindo saudade da "companhia" de vocês.
Espero que possamos um dia nos reencontrar para, juntos, vivermos outra viagem sobre duas rodas. E olhem que "não é de motocicleta, não! É de bicicleta mesmo" (afinal, não foi com esta frase que iniciei as postagens no Blog, no dia 14 de outubro de 2010?).
Um grande, um enorme, um cinchado, um bait'abraço a todos!
Paulo Renato Petry, cicloturista.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Reencontros e novas (grandes) amizades

Buenas, pessoal!
Na 6ª-feira 26, à tarde, após quase um mês sem ver minha esposa Mariloy, tive a grande alegria de reencontrá-la em Santiago do Chile! Saiu de Porto Alegre pela manhã, via aerea, e, à meia tarde, aterrissou na capital chilena.
Eu, claro, cheguei lá... pedalando!
Quanta saudade! Afinal, já são 21 anos, 02 meses e 10 dias de casamento, e três abençoados filhos, a Manoela (com 17 anos), a Rafaela (com 14) e o Paulo Augusto (com 13).
Quantos assuntos para colocarmos em dia, quantas notícias, quantas boas-novas...
E quanta felicidade recíproca pelo reencontro nessa situação, de extrema alegria pelo êxito do desafio a que me propus, e para o qual contei sempre com seu irrestrito, incomensurável apoio!
No próprio Aeroporto, conhecemos a pessoa que seria nossa anfitriã pelos próximos dois dias, a Cibele Zuchelo, sobrinha de um colega de trabalho nosso (meu e da Mariloy) e que, mesmo nos vendo pela primeira vez, insistiu que ficássemos em sua casa durante a permanência em Santiago. Ex-modelo brasileira que desfilou em passarelas de todo o mundo (inclusive capa da revista Vogue! Vale a pena olhar suas fotos na Internet: é uma mulher belíssima!), hoje, aos 27 anos, trabalha como psicóloga e cursa mestrado em terapia familiar. Que figura espetacular! Aliás, me corrijo: que figuras espetaculares, pois seu marido Alejandro, engenheiro chileno, também nos deixou constrangidos de tanta atenção e cordialidade!
E embora o Alejandro, por força de um compromisso, tivesse que viajar no sábado à tarde, ainda assim, na noite anterior, brindou-nos com uma típica parrillada, para a qual também convidou amigos que queriam nos conhecer.
Uma noite inesquecível!
No sábado, a Cibele prestou-se, com a maior boa-vontade do mundo, a servir de nossa cicerone por Santiago. Até localizar papelão para embalarmos a bicicleta visando despachá-la de volta para o Brasil ela fez!
Almoçamos na praça de alimentação a céu aberto de um shopping da capital, oportunidade em que tiramos algumas fotos para registrarmos momentos de alegre convivência.
E o bate-papo descontraído das duas novas amigas, que pareciam se conhecer há anos, tal a simpatia recíproca. Conversas sobre filhos foram muitas, pois a Cibele está radiante pela confirmação de sua primeira gravidez. É um barato ver o brilho nos olhos do nosso novo casal de amigos quando falam do pimpolho que dará o ar da graça lá por maio do ano que vem... E a Mariloy, mãe experiente, tinha muito o que contar...



À tarde, levou-nos e conhecer o Cerro San Cristobal, do qual enxerga-se em 360º a imensa cidade de Santiago, com seus 5 milhões de habitantes.



Que bonitinho, o casal no Cerro, "namorando"...

Aqui, as duas fofocando novamente, tendo por paisagem de fundo, Santiago vista do alto. É um lugar imperdível de se conhecer, na capital do Chile.


Foi, sem dúvida, um sábado de muita alegria, de muito afeto, de boa e interessante conversa, de conhecimento sobre o modo de vida dos chilenos, de sua grande força de vontade para superar o trauma do terremoto de janeiro (responsável por destruição de parte da cidade, pelo fechamento do aeroporto, pela condenação de prédios, pontes e viadutos à implosão) e retomar a rotina nesse que é um dos países com melhor qualidade de vida da América Latina.
Amanhã, conto o retorno ao Brasil, e posto as fotos de uma paisagem invulgar: a Cordilheira dos Andes vista do alto. É de ficar aborrecido com tanta beleza!
Bait'abraço a todos!

domingo, 28 de novembro de 2010

Enfim, o destino: Santiago do Chile!

Buenas, pessoal!
Nessa 6ª-feira (26/11), após 26 dias, 2.392,5 km percorridos (faltaram 7,5 km para 2.400!), depois de cruzar meu próprio Estado de origem, a Argentina e o Chile, passar por 105 cidades e/ou povoados, depois de alternar planícies e serras, suportar temperaturas de verão e de inverno extremos, depois de pedalar sob chuva, sob sol, de atravessar 16 túneis, de enfrentar uma das Cordilheiras mais exuberantes e mais seletivas de todo o Planeta, de cumprir uma rotina diária de 130 km em média pedalados (a menor distância: 65 km; a maior: 180 km), finalmente estacionei a bicicleta Caloi Elite 2.7 em frente ao Aeroporto de Santiago do Chile, e dei por ENCERRADA, COM ÊXITO, essa que foi uma das jornadas mais espetaculares da minha vida!
O que dizer numa hora dessas?
Fico tentado a fazer, já agora, uma análise (despretensiosa, claro) de tudo quanto representou e representará esse desafio na minha vida.
Mas não.
Por respeito a todos que, de uma forma ou de outra, vêm acompanhando essa travessia, vejo-me no compromisso de relatar como foi esse último dia de pedalada, até para poder também encerrar a descrição seguindo a rotina que por quase trinta dias vingou neste Blog. Não faltarão oportunidades de, nas próximas postagens, poder fazer um resumo, quem sabe arriscar algumas conclusões...
Assim, foi que:
Para cumprir essa etapa final, e vencer os 85 km que me separavam do Aeroporto, saí de Los Andes (Chile) às 09h da manhã.
Tarde, porque, ao pegar a bicicleta que ficara parada 3 dias no Hotel (de 3ª-feira 23 a 5ª-feira 25), descobri que seu pneu dianteiro estava furado. Um "fecho de ouro" para aquele que foi o único problema mecânico que enfrentei na bicicleta: 11 furos em 25 dias! Uma grande decepção a todo o conjunto ciclístico de rodagem (câmaras, pneus, fita de kevlar...).
Mas nada disso desmereceu a fantástica paisagem que se me descortinou aos olhos na saída daquela belíssima cidade chilena!
Uma grande subida, de cerca de 10 km, levou-me novamente próximo dos 1000 m de altitude, onde o último túnel da viagem (com 2 km de extensão), me aguardava. Claro, em cima de outro carro-socorro, porque é proibida a passagem de ciclistas no local.
À travessia desse túnel sucedeu-se uma forte descida, já em direção à Região Metropolitana de Santiago. Mas o vento - sempre ele! - determinou pedalada constante e firme mesmo lomba abaixo, a fim de que pudesse manter a média de 15km/h que me levaria, até mais tardar 17h, às portas do Aeroporto, onde minha esposa estaria chegando, proveniente de Porto Alegre.
Tempo para mais uma foto, dessa vez da paisagem que me acompanhou por praticamente todo esse último trecho pós-túnel (serras baixas, arenosas e, por isso mesmo, de pobre vegetação).
E o último monumento fotografado comigo e a bicicleta: uma homenagem à Batalha ocorrida em 1817, quando habitantes da Aldeia Chacabuco saíram vitoriosos na luta pela independência do Chile. É muito grande e muito bonito!
Em frente ao Aeroporto, ciclocomputador na mão, acho que a imagem abaixo fala por si...

Acabou!
Ou começou...
Não sei ainda. Uma "viagem" dessas termina com a chegada ao destino?

(Amanhã, postarei fotos da Cordilheira dos Andes vista de cima. E eu que pensei que bonito era lá embaixo...)
Bait'abraço a todos!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pajada

Buenas, pessoal!
Desculpem-me a ousadia (e o pouco talento), mas aflorou uma veia poética em mim, neste dia de paz e sossego.

SEM FRONTEIRAS O VENTO, A NEVE E A GENTE

Existe um lugar na Terra
Solo sul-americano
Que, igual ao povo cigano
Nato encanto encerra
Da encosta da menor serra
Ao topo da Cordilheira
Tremule qualquer bandeira
De nações pequenas ou grandes
Pois para os ventos dos Andes
Não existe essa tal fronteira!

Cerro imenso americano
Recortado território andino
Quem o quis um dia argentino
De Peru, Chile, boliviano
De Equador ou colombiano
Fez pelejar irmão contra irmão
Fracionando esta vastidão
Mas nos montes colossais
Suas neves invernais
Ignoram demarcação.


Agora, nas rochas nuas
Acorrem gentes estranhas
Cavam as suas entranhas
Arrombando-as à força de puas
Expondo suas carnes cruas
Sempre atrás do vil metal
Desatentas a todo mal
Que lhama, guanaco, condor
Sofrem co’a morte, co’a dor
Tolo desprezo ao vital.


Sei que o homem é capaz
De abdicar desse ouro e cobre
Que só à beleza se dobre
E deixe os Andes em paz
Que na estrada o leva-e-traz
Seja do encanto da Cordilheira
Do rio, de sua corredeira...
Eis sua riqueza, o maior valor!
Um sonho, um pensar, um pendor

De gente também sem fronteira!

Bait'abraços a todos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fotos do dia 20/11 (Uspallata)

Buenas, pessoal!
Continuo postando as fotos que não puderam compor os textos (sempre por falta de um sinal adequado de Wi-Fi).
Essa série é do dia 20 de novembro, quando percorri o trecho entre Los Potrerillos e Uspallata.

Adoro essa foto! Está quase tudo ali: céu, sol, montanhas, estrada, bicicleta, eu, e um guard-rail para não despencar no abismo do Rio Mendoza... Só faltou a neve!


O Rio Mendoza, que nasce da confluência de diversos pequenos rios (Cuevas, Vacas, Polvaredas), todos originados no degelo. Como este ano nevou pouco, o rio está baixo e já há racionamento de água em Mendoza. O Dique Chipollet só abre suas comportas algumas horas por dia.

O que há de mais fantástico na Cordilheira: a água mais pura do Planeta! Desse arroio que aparece na foto (como de tantos outros) peguei água para beber, e é tão gelada que as mãos doem se ficam muito tempo nela mergulhadas. Tem grande concentração de minerais e um gosto completamente diferente de qualquer água que já tomei. É impressionante como a gente se sente bem sorvendo-a!

Um dos 15 túneis que há na subida da Cordilheira. Alguns em curva, um em "S", nenhum iluminado, era um risco atravessá-los, porque não há banquina (acostamento). Não sei quem se assutava mais quando um caminhão cruzava por mim dentro deles: se eu ou o motorista das carretas....


O "catarina" Tadeu Silva, funcionário da Cerâmica Portobello, que resolveu botar meu capacete e posar para uma foto como se tivesse pedalado até Uspallata. Rimos a valer da sua ideia.
Detalhe: é ciclista também. Talvez por isso tenha se identificado tanto e se armado de coragem para colocar um capacete fedorento e suado na cabeça...


Bait'abraço a todos!