quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Primeiros mil quilômetros!

Buenas, pessoal!
Já estou na cidade de Paraná, capital da Província (Estado) de Entre Rios!
Foi um dia muito bom de se pedalar! O vento nordeste, se não ajudou tudo o que devia, pelo menos não atrapalhou o tanto que podia, e pude vencer com relativa facilidade os primeiros 70km. Na hora do almoço, metade do caminho já estava feito!
À tarde, claro, o vento mudou (que novidade...), ficou contrário a mim, e aí comecei a forcejar novamente. O brabo é que, depois de muitas horas em cima da bicicleta, até uma aragem parece conspirar.
Tenho trabalhado muito com uma velha técnica conhecida dos ciclistas, a do esforço/recompensa. Por exemplo, a cada 5 km, me dava o direito de tomar um golão d'água. Com isso, de 20 em 20 minutos mais ou menos parava a bicicleta, molhava a garganta e me concentrava para outros 5 km. Tem funcionado muito bem: até agora nenhuma caimbra, nenhuma distensão.
Ah, aí está a foto do meu alojamento em Los Conquistadores (disputado a tapa com o Mcartney), ao preço de R$ 11,00:


Este é o cartão de visitas de Federal: "Capital Nacional do Chamamé". Ah, eu e a Mariloy, no tempo dos fandangos em Cacequi! Arrasávamos no chamamé ao som do Conjunto "Os Mateadores"! Coisa de 20 anos atrás...


E esta foto abaixo é de peões de estâncias da Província de Entre Rios (parecidos até com os nossos gaúchos da lida campeira: uma gente simples, acostumada à rudeza da vida rural, que grita com o gado mas, diante de estranhos, torna-se tímida e arredia, embora nem por isso deixe de ser franca e direta).


E ai de mim se não publicar esta foto do Hotel Sayonara, de Bovril, Entre Rios, no blog! Os donos do Hotel ficariam decepcionados! Que pessoas maravilhosas! Inclusive, quando estava chegando em Paraná, a atendente do Hotel estava vindo para cá também, de carro, me viu, parou na estrada fazendo o maior buzinaço da paróquia, abriu a janela e me deu uma garrafinha de Gatorade, desejando-me, outra vez, boa viagem...


Ah, os primeiros mil quilômetros! Completei-os na cidade de Cerrito, e estava tão distraído olhando as árvores plantadas pela Intendência (Prefeitura) à margem da Rodovia, que acabei passando 200 metros do registro "1000.0". Vá lá...


Amanhã, outro grande desafio: cruzar o túnel subaquático do Rio Paraná (já sei que terei que pegar o carro-socorro da Administração do Túnel, porque é proibido passar-se pedalando, já que não há ciclovia) e vencer um gigantesca distância até San Francisco - mais de 160km. Periga eu ter que dividir esse percurso em dois. É só aquele medonho vento oeste aparecer de novo, adeus Tia Chica...
Bait'abraço a todos!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A maior pedalada até agora

Buenas, pessoal!
O título explica-se por si: tentando tirar um pouco do atraso de ontem, e aproveitando o tempo firme e com pouco vento, acordei cedo e pedalei 150km, de Los Conquistadores até Bovril, uma simpática cidadezinha de 10.000 habitantes, a 6km da Rodovia 147. Esse distanciamento da ruta garante vida pacata a seus moradores, gente hospitaleira, queridos uma barbaridade! No hotel Sayonara, quando os hóspedes e frequentadores do restaurante souberam que eu estava viajando de bicicleta, me fizeram mostrar todas as fotos e tentar, com meu portunhol horroroso, responder a alguma das suas incontáveis perguntas.
Quando, então, eles "disparavam", eu já vinha com a frase feita: "yo no hablo español, tiene que hablar despacio". Pronto! Santo remédio! Ô gringos que falam rápido, credo!
Nesta região da Argentina, a economia está praticamente toda ela relacionada à criação de gado. Há, às margens da rodovia, grandes mangueiras de confinamento, todas tapadas de gado "até os guardanapos"! Os remates também acontecem ali, e é muito interessante ver os "estacionamentos" de caminhonetes e caminhões boiadeiros, e aquela gente toda empoleirada nas cercas negociando. Eu, de butuca, parecendo um ET com aquele capacete de ciclismo, uma camiseta com o escrito nas costas "Vá de Bike", assistindo ao gritedo enquanto bebo uma água morna das caramanholas, eh, eh...
Uma situação inusitada: dois amigos passaram por mim, no início da tarde, de carro, indo para a cidade de Federal (de onde eu vinha). À tardinha, retornando, passaram por mim novamente, já perto de Bovril. Quando me viram entrar no trevo de acesso à cidade, ficaram me esperando, e atacaram-me para indicar o Hotel, perguntar-me se eu era certo da cabeça, e tirar fotos. Vou ficar famoso!
O sinal da internet está sendo compartilhado por outros hóspedes, e talvez por causa disso não consiga adicionar fotos. Isso tem lógica? Algum nerd poderia me explicar (o Marlon, por exemplo, rsrs...).
Só para fins estatísticos, já pedalei 930km. Amanhã, ultrapasso a marca dos primeiros 1.000km, provavelmente próximo a Paraná. Nessa cidade, há um túnel por baixo do majestoso Rio Paraná, que leva à cidade de Santa Fé. Já passei por lá de carro. Como será de bicicleta?
Por fim, obrigado a todos por tantas mensagens de incentivo, de encorajamento, de apoio. Isso ajuda a suportar a já grande saudade que estou sentindo de todos (da Mariloy e dos piás, então... por um "nada" meus olhos já se enchem d'água...)
Postei duas mensagens hoje. Pela ordem, esta é a segunda. A outra é "Paul Mcartney e eu...".
Bait'abraço a todos.

Paul Mcartney e eu disputando a mesma suíte!

Buenas pessoal!
Ontem não consegui postar (já saberão por quê). Por isso, postarei 2 vezes, hoje, para aproveitar a internet disponível.
Há tanto o que contar que não sei nem por onde começar!
Ontem (9/11) estava pernoitando num Hotel de posto de gasolina, quando acordei com o barulho de um verdadeiro dilúvio! Temporal daqueles!
As previsões estavam se confirmando: chuvarada até o final da manhã, e depois vento sudoeste de 40km/h.
Mas eu tinha que ir para sudoeste!!! Antevi problemas...
Como, porém, nunca devemos fugir do bicho sem ver a cor do pêlo, coloquei as capas de chuva dos alforjes e botei a bicicleta na estrada.
Precisava fazer 130km para chegar em Federal. Vocês não têm ideia, contudo, do que é tracionar uma bicicleta pesando 50kg, com este mamute em cima, contra um vento a 40km/h que chegava a desequilibrá-la... Para se ter uma noção, fiz 70km com média de 10km/h e depois empurrei a magrela por mais 2 horas (caminhei 10km). Resultado: venci apenas 80km e, exausto, procurei um lugar para pernoitar numa villa chamada Los Conquistadores (deve ter uns 500 habitantes). Uma família oferecia, por $ 25 pesos (R$ 11,00) um quarto. Só tem tu, vai tu mesmo! Tive que disputar com o Paul Mcartney a preferência (ele está fazendo show na Argentina), e levei, porque cheguei primeiro do que ele!
Estou com dificuldades de adicionar as fotos. Virão em outra oportunidade. Aí, vocês irão de impressionar com o luxo dos aposentos, eh, eh...
Não há padaria, não há restaurante, não há... bem, não há nada! Somente uma filial da empresa alegretense Arroz Pileco, que dá emprego para todos os moradores da vila.
Fui dormir com fome, porque só havia mariolas de banana nos alforjes.
Bait'abraço a todos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Enfim, a Argentina!

Buenas, pessoal!
Disseram-me que não se podia atravessar a Ponte Internacional pedalando. Eu atravessei!
Disseram-me que era obrigatório andar com uma bandeirinha do Brasil na bicicleta, para identificar o País de origem. Não me pediram!
Disseram-me que a revista seria minuciosa. O Policial só abriu a bolsa de guidão.
Disseram-me que eu deveria tomar todos os cuidados com os correntinos (entenda-se: os nativos de Corrientes, província lindeira ao Brasil). Todos, sem exceção, foram acolhedores, gentis e honestos!
Disseram-me que a Polícia Rodoviária da Argentina (a mal-afamada Gendarmeria) estava virada num bando de corruptos. Sequer me pararam; eu que parei no Posto de Controle para pedir água e me deram mineral gelada! Quase não fecharam mais a boca quando souberam que eu atravessaria o seu País para chegar ao Chile! E me desejaram "boa viagem" e "suerte".
É... confesso que estava muito nervoso para atravessar a Aduana. Mas, Graças a Deus, correu tudo na maior tranquilidade (ainda é tempo para agradecer ao Marco Navarro, compadre dos meus colegas de trabalho Edmar e Tânia - que são de Uruguaiana -, pela disponibilidade de atravessar a Ponte comigo. Liguei para o nº fornecido, ninguém atendeu, resolvi ir sozinho. Mas sua predisposição em ir junto já vale o "obrigado").
E quem diria que entre Passo de Los Libres e Federal, num lugar chamado "Cuatro Bocas", haveria um hotelzinho bom e barato, com Internet Wireless? Foi onde me hospedei.
A grande dificuldade do dia foi vencer os 110km praticamente sem tirar a bunda do banco. É uma reta plana sem fim!!! Precisava às vezes pedalar em pé para dar uma folga ao recavém. Aí, de repente, um caminhoneiro parou e me ofereceu "hielo" (gelo) e maçãs. Deve ter achado que eu estava morrendo, he, he... Mas claro que aceitei! Com a água das caramanholas dava para tomar chimarrão, de tão quentes.




Um espinho conseguiu furar o pneu traseiro novamente. Como estava encravado no pneu, este foi murchando devagarinho, devagarinho... só quando senti a bicicleta saindo de traseira é que percebi o problema. Nenhuma novidade: se não furar, vou estranhar.
Aproveitei o calor infernal (deve ter feito uns 35ºC) para outro banho, nas águas barrentas do Rio Pirinay. Um barral na saída me deixou mais sujo do que quando entrei...


Amanhã a distância será maior e no mesmo relevo. Pelo menos, ao invés de iniciar o roteiro às 11h, como foi hoje, pretendo sair mais cedo e chegar ainda de dia em Federal.
Bait'abraço a todos!

domingo, 7 de novembro de 2010

A longa espera

Buenas, pessoal!
Paciência foi a tônica do dia de hoje! Louco para seguir viagem, mas maneado a um bendito cartão de crédito, não me restou outra alternativa senão "matar o tempo" aqui em Uruguaiana. Só saí do Hotel para jantar. No demais, dormi, olhei TV, aproveitei para descansar (embora não me sinta cansado; estou inquieto para retomar a pedalada!).
Jantei ontem com meu velho amigo Fabrício, e tive oportunidade de conhecer gente do mais alto quilate! Sabem, pessoas que a gente convida para compadre, com quem passa férias junto... Foi assim que me senti, como um irmão, entre o Fabrício, sua esposa Karina (atrevo-me a suprimir o "Dra." porque, embora sendo Juíza de Direito, permitiu-me chamá-la apenas pelo primeiro nome - e foi difícil para mim, eu que sei!), seu cunhado Pedro, a esposa Eloísa e os filhos destes, o Luís Pedro e a Fernanda! Fiquei constrangido com tanta atenção!
E que jantar! E que casa aconchegante! E que conversa boa e divertida! Valeu, valeu a viagem este (re)encontro!

Por fim, hoje, numa topada com eles todos, novamente ao acaso (?) numa sinaleira, enquanto eu voltava da janta para o Hotel, a Eloísa presenteou-me com uma espécie de pochete, de tecido, que vai grudada ao corpo por dentro da roupa, para evitar-se o roubo de dinheiro, carteira, essas coisas, e também com um ímã de Nossa Senhora de Fátima e de São Cristóvão (vinda de Fátima, Portugal). Fico tão sem jeito com esse tipo de agrado que não sei como agradecer. Então, que assim seja: obrigado, obrigado, obrigado! Foi colocado junto com a imagem de Jesus Cristo que ganhei da Manoela Chagas e com o terço recebido da minha mãe. Estou protegedérrimo!!!

Reorganizei os alforjes da bicicleta. Tantos pneus furados, tantas paradas forçadas, tantos tombamentos da bicicleta para os consertos, esculhambaram a bagagem. O quarto do Hotel ficou tapado de bugigangas! Ai, se eles descobrem, rsrs...



Não tenho previsão de novo contato, antes de chegar em Federal, na Argentina, provavelmente dentro de dois dias. Por isso, amanhã não deverá haver postagem. Todavia, continuem vocês postando! Só eu sei como é bom abrir o blog e ler notícias de vocês, minha esposa e filhos, irmãos, amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos, isso é adrenalina pura para mim!
Bait'abraço a todos!

sábado, 6 de novembro de 2010

Fiquei preso...

Buenas, pessoal!
Fiquei preso!
Calma, rsrs... não foi em nenhum Presídio, não!
Na verdade, estou "preso" em Uruguaiana por força de um problema bancário: meu cartão de crédito internacional precisa de um cartão suplementar de segurança que só a Agência bancária pode fornecer. Na segunda-feira, claro... Bem feito para mim! Confesso que foi descuido: há muitos anos não tinha mais cartão de crédito (uma bênção), mas, para a viagem, foi necessário solicitar um novamente. Só o desbloqueei hoje de manhã e vi que para operações internacionais há outros requisitos. Como dinheiro, em cash, estou levando pouco, terei que resolver isso na segunda.
Aproveitei para reorganizar os alforjes da bicicleta, descansar (minha bunda e as palmas das mãos estavam doendo bastante - a primeira, por razões óbvias; as segundas, por ter que apoiar boa parte do peso do corpo no guidão, sacrificando severamente os metacarpos) e conhecer mais um pouco essa bela cidade da fronteira.






E também, por uma daquelas "coincidências" (eu tenho certeza que é PROVIDÊNCIA DIVINA), encontrei numa livraria de Uruguaiana um ex-colega do Fórum de Vacaria, o Fabrício Chedid Padilha - aliás, Doutor Fabrício, Delegado da Polícia Federal daqui. Que tal? E é casado apenas com uma das Juízas de Direito do Fórum de Uruguaiana (em cujo Cartório minha colega Manoela atuou como Consultora do Plano de Gestão pela Qualidade do Judiciário)! Ô mundão velho sem cantos!!! Jantaremos juntos hoje à noite. Foi uma baita alegria, recíproca, pelo reencontro por acaso (hã, acaso...) após tantos anos!
Bait'abraço a todos!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma providencial carona

Buenas, pessoal!
Que dia! Que dia! Deu de tudo! Olhem, meus amigos... novidade pouca é bobagem!
Saí do Alegrete (terra natal da patroa - ô saudades, he, he...) às 08h, pensando ainda se iria tocar até Uruguaiana (150km), ou se dividiria o trecho em dois percursos. Minha decisão de seguir baseou-se no fato de que o Posto de Gasolina que havia "no meio do caminho" não era tão no meio assim, quero dizer, estava a apenas 50km de Alegrete. Faltariam mais 100 para terminar a jornada. Com fôlego sobrando, resolvi chegar à fronteira hoje mesmo!


Poucos quilômetros depois, vi que meu projeto de pedalar até o Chile é NADA! Sabem por quê? Porque encontrei um argentino, nascido em Ushuaia, atravessando a América do Sul... A PÉ!!!
Leva uma enorme mochila, anda sem dinheiro, me mostrou seus "pertences" (um diário, um mapa, um caderno para anotações, roupas, duas garrafas pet com água e... nada mais!), e disse-me que estava indo para Porto Alegre, mas queria conhecer todo o Brasil. E o maluco sou eu?


Muitos rios! O Ibirapuitã, o Inhanduí (uma sanga com nome de rio...) e outros "arroios" dos quais não lembro o nome. E muitos animais exóticos: emas, lagartos, cobras, um urubu de cabeça vermelha (existe?), uma infinidade de pássaros silvestres, uma beleza!

O acostamento da BR-290 está em obras. Resultado? tchá-ná-ná-nam! Mais um pneu furado! Dessa vez, a causa era evidente: um arame provocou o furo. Já havia pedalado 110km, faltavam 40, consertei o pneu, não consegui calibrá-lo, ficou murcho, a bicicleta jogando para todos os lados, decidi apear e caminhar um pouco, enquanto lanchava um dormido pastel de frango. Acabei caminhando por 5km (1 hora batidinho!), quando uma alma generosa, chamada Urbano Machado, parou uma S-10, e ofereceu-me carona. Aceitei! Depois de 30 anos na estrada de bicicleta, ponderei a situação, sabia que teria ainda 35km contra o vento, com o pneu dianteiro bem murcho, um acostamento cheio de armadilhas, resolvi pela primeira vez botar a magrela numa caçamba!


Tá bom, tá bom, desconto esses 35km (no conforto do ar condicionado) quando computar o percurso total percorrido...
A partir de amanhã, tudo será novidade: outro País, outra língua, outro dinheiro, nem sei se conseguirei acesso à Internet nos próximos dias. Assim que der, retomo o contato.
Bait'abraço a todos.