quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tirando o atrasado!

Buenas, pessoal!
Como ontem, ao fim da tarde, mais um pneu furado tirou minhas esperanças de conseguir pernoitar em São Chico de Assis - ideia inicial -, hoje levantei-me cedo, vi aquele céu de brigadeiro, sem vento, e pensei que talvez desse para pedalar 135 km hoje e retomar o roteiro.
Mãos à obra! Ôps, quero dizer: pé no pedal!
A paisagem é deslumbrante! Pude presenciar, à distância, uma campereada (tropeiros trocavam gado de campo). Ah, se o meu filho Augusto (um apaixonado por cavalos!) pudesse estar comigo... Pena que eu estava muito longe e a fotografia não ficou muito nítida.



E os rios? Um mais bonito que o outro. Como, porém, hoje tinha um longo trecho para pedalar, abri mão do banho. Mas registrei a beleza do Rio Jaguari.



A descoberta do dia foi uma minúscula vertente d'água, escondida entre a vegetação. Só mesmo transitando com um veículo silencioso como a bicicleta para fazer essas descobertas! Ouvi o barulho da água caindo, afastei o capim e lá estava o veio, bem fraquinho, mas de uma água gelada e puríssima! Devo ter bebido mais de um litro, além de molhar pulsos e cabeça! E os funcionários da AES Sul, que estavam fazendo manutenção da rede elétrica na Rodovia, me disseram que não havia água entre Manoel Viana e Alegrete...


Amanhã, um grande desafio: 150 km até Uruguaiana! E para lá, sim, pouquíssimo recurso (somente um posto de gasolina na metade do caminho).
Ah, claro, faltando 12 km, furou outro pneu. Pela primeira vez, o dianteiro. Oportunidade de colocar a outra câmara fora (na lixeira, claro). O 5º furo...
Bait'abraço a todos!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sempre em frente!

Buenas, pessoal!
Tem feito muito calor na estrada! Pela primeira vez não me importei com o vento oeste, que soprou fraco e ajudou a aplacar um pouco os mais de 30ºC que peguei após o meio-dia.
Aí, pode-se desejar algo melhor que um rio de águas limpas, piscoso, sem o mau cheiro típico de rios que cruzam grandes centros urbanos (como o Caí, por exemplo)? Pois foi o que encontrei, na divisa de São Pedro do Sul com Mata: o belíssimo Rio Toropi! Não resisti! Apesar das águas geladas, me enchi de coragem e tchibum, que banho fantástico!
Ah, adivinhem? Mais um pneu furado, o 4º em três dias! Óbvio que comprei câmaras novas em Santa Maria e botei fora aquelas porqueras. Por conta de tanto atraso trocando pneu na beira da estrada, resolvi pernoitar em São Vicente do Sul, antes de São Chico de Assis (meu destino inicial). Tudo bem, pois tenho, no cronograma, 6 dias de reserva para essas eventualidades.
Todas as pessoas com quem converso ficam surpresas com o projeto de chegar ao Chile pedalando. E como é bom ouvir palavras de encorajamento, de incentivo, vindas de adultos, de crianças, de atendentes de hotel e frentistas, de borracheiros (companhia frequente, quem diria...) e garçons.
Obrigado, também, aos novos "seguidores". Gente conhecida, parentada, família, amigos... valeu!
Bait'abraço




terça-feira, 2 de novembro de 2010

Segundo dia!

Buenas, pessoal!
Tive uma grata surpresa hoje de manhã, ao fechar a conta do Hotel em estava hospedado em Santa Cruz do Sul (Turis Hotel, junto ao Posto Nevoeiro, na RS-287). Quando o proprietário, Roberto, soube que havia um cicloturista hospedado, disse ao funcionário que o pernoite era cortesia da casa, porque ele também gostava muito de bicicleta e apoiava os aventureiros sobre duas rodas (com propulsão humana, claro, eh, eh). E ainda mandou o recepcionista encher uma mão de canetas com a "logo" do Hotel e me dar de presente para usar na viagem ("brinde da casa"). Que gentileza!
Nem tive a oportunidade de conhecê-lo para agradecer pessoalmente pela generosidade. Fica, então, aqui meu registro.
Também conheci outro cicloturista, "Seu" Ivo Stumm, de 71 anos! Seu apelido é "schnaps" ("cachaça"). Imaginem por quê... Até no antigo Instituto Pinel ele esteve internado, por conta do trago. Pois, um dia resolveu se tratar, descobriu a bicicleta, e hoje faz passeios de dia inteiro pela belissima região de Santa Cruz do Sul. Disse-me, com os olhos cheios d'água, que o ciclismo salvou sua vida, deu-lhe nova razão para viver. Viram?
O dia na estrada foi de muito esforço. De novo tive problemas com furos na câmara traseira. Dois! Entrei no desvio da Ponte sobre o Rio Jacuí, em Agudo, e mal andara 50 metros, aquele pedrario já me deixou a pé. Consertei o pneu, retomei o trajeto, mas mesmo empurrando a bicicleta, logo depois furou de novo (descolou a emenda). Ô camarazinha à toa essa!
Amanhã, comprarei um leitor de cartão, para poder colocar fotos no blog, e também comprarei duas câmaras novas, para me ver livre daquelas bostas que estão me deixando a pé a cada tanto.
Cheguei em Santa Maria noite escura...
Amanhã, São Chico de Assis. Sem vento e sem paradas imprevistas, eu espero.
Bait'abraço a todos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Final do primeiro dia!

Buenas, pessoal!
Já estou em Santa Cruz do Sul, primeira parada da viagem!
Foi um dia inusitado! Além do trecho ser muito eclético (nos primeiros 40 km, longas subidas e descidas, e depois a grande várzea do Rio Taquari, até perto de Venâncio Aires, onde, então, reiniciam as lombas, tudo tendo que ser vencido com uma bicicleta que está pesando 50 kg!), um vento oeste soprou sem trégua durante todo o dia, e, não bastasse, a câmara traseira furou com apenas 30 km percorridos!
Circunstâncias que tornaram essa primeira etapa um dos percursos mais seletivos que já enfrentei em 35 anos de pedalada!
Não precisam acreditar, mas o vento era tão implacável que, mesmo lomba abaixo, tinha que continuar pedalando para... não parar a bicicleta! Era incrível! Queria descansar um pouco em função do esforço para vencer o "resto do ciclone" que passou pelo Estado ontem, mas mesmo nas descidas, se não pedalasse, a bicicleta ia perdendo velocidade, 14, 12, 10, 8, 6, 4 km/h... e pararia se eu não retomasse o giro do pedivela! Que coisa!
Estou com problemas na máquina fotográfica. Ela levou um tombo, e agora, cada vez que instalo o cabo USB para descarregar as fotos, ela envia uma mensagem de "ligar e desligar novamente", mas não permite salvar os arquivos. Pelo menos estou tirando fotos sem problemas!
Amanhã, Santa Maria! Um dos trechos mais longos (140 km). Se esse vento maluco continuar me obrigando a forcejar mais do que a conta, será novamente um dia bem comprido...
Bait'abraço a todos!

domingo, 31 de outubro de 2010

As inevitáveis surpresas...

Buenas, pessoal!
É... por mais que sejamos organizados, metódicos, disciplinados, na elaboração de um projeto como esse - pedalar de Montenegro/RS a Santiago do Chile -, sempre ocorrerão imprevistos que podem mudar circunstancialmente todo esse planejamento.
Pois não é que hoje à tarde, meu pai, um homem exemplarmente saudável, de uma compleição física invejável para os seus 74 anos (sempre digo que ele é capaz de subir em uma árvore muito mais rápido do que eu...) resolveu nos dar um susto? Teve um mal-estar súbito e, no Hospital, o médico plantonista diagnosticou um AIT, espécie de AVC (acidente vascular cerebral) menos grave.
Por algumas horas senti escorrerem para o campo da incerteza todas as minhas expectativas quanto ao dia da saída: e se meu pai piorasse? E se tivesse outro AIT? E se fosse recomendada minha permanência em Montenegro? E se, e se, e se...? Nenhuma dúvida: teria que adiar a viagem.
No entanto, graças ao Grande Arquiteto do Universo, tudo nada mais foi do que um grande susto em todos nós!
A viagem está de pé! O dia de saída, confirmado! E meu coração filial, até há pouco apertado de angústia pela pronta recuperação do pai, agora retoma seu ritmo normal (claro, nem tão "normal" assim, porque há dias denuncia, por seu ritmo acelerado, toda a ansiedade que uma jornada de bicicleta provoca no coração de qualquer cicloturista às vésperas da partida para mais um desafio!)
Bait'abraço a todos!

sábado, 30 de outubro de 2010

Instalando, na bicicleta, os alforjes e acessórios para camping.

Buenas, pessoal!

Faltam 2 dias, apenas este sábado e domingo, para que eu gire pela primeira vez o pedivela em direção ao Chile!

Antes de mais nada, quero agradecer por demais às tantas palavras de incentivo e apreço que tenho ouvido, seja dos meus familiares, dos meus amigos, dos colegas de profissão, de outros cicloturistas e de esportistas em geral! Independentemente de compreenderem a dimensão de um projeto dessa envergadura - pedalar sozinho por quase 2.500 km, tracionando 40 kg de bagagem, os 12 kg da bicicleta e estes enxutos 100 kg "de puro bunitume"..., cruzando dois países além do próprio onde se reside -, todos me desejaram sorte, coragem, fé (até porque, quando viram que eu ia mesmo, desistiram de me chamar de "panca", "maluco", "desajuizado").

Hoje posto as primeiras fotos da bicicleta sendo montada, com a instalação dos alforjes e todos os itens de acampamento. É uma ciência! Distribuir corretamente o peso da bagagem (70% no eixo traseiro, 20% no dianteiro e 10% no guidão), amarrar os fardos colocados sobre os bagageiros, e ter a certeza de que não se vai perder nada pelo caminho... olha, queimei um bocado de fosfato até acertar!

Aí vai:



Bait'abraço a todos!


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O que vai na "mala de garupa"?

Buenas, pessoal!
Passei boa parte deste domingo separando os petrechos para a viagem que farei ao Chile, de bicicleta (faltam só 7 dias!!!).
Dá de tudo: dos objetos mais elementares (como barraca, protetor solar, kit de primeiros socorros) aos mais inusitados (como pinça, garrote, velcro...). 
É, meus amigos, isso mesmo: pinça, garrote, velcro!  Levar um kit gambiarra nos alforjes já livrou muito cicloturista de passar uma noite na beira da estrada, pois, com alguns pertences, digamos assim, nada ortodoxos, conseguiu improvisar uma solução para os variados problemas aos quais estamos sujeitos: desde um espinho na planta do pé ao rompimento da corrente da bicicleta.
Essa dica obtive com o Rodrigo, do Clube de Cicloturismo do Brasil (http://www.clubedecicloturismo.com.br/), que sempre alerta os "viajantes de longa distância" a se precaverem.  Por isso, além do material acima relacionado, carreguei um dos bolsos dos alforjes com agulha e linha, arame, braçadeiras, durex, cordão de náilon, durepox, isqueiro, joaninhas, superbonder, varal, prendedores de roupa... um caquedo, eu sei, mas, como o seguro morreu de velho, eh, eh...
Ah, e mais uma vez ressalto a importância dos espelhos retrovisores na bicicleta!  Sim, espelhoS, dois, para uma pedalada segura e sem sobressaltos.  Como nem sempre nossos ouvidos captam o som dos motores de veículos que se aproximam - o vento é nosso algoz não só porque nos trava -, socorrermo-nos de espelhos é fundamental para garantirmos nossa segurança.  E como o cicloturista, no mesmo, prioriza a segurança em detrimento da estética, vale a pena investir nesse acessório.
Bait'abraço a todos!